Bom dia!
Sou descendente de charrua, nascida em Dourados.
Bela terra, mas os coronéis meia boca da minha família me tiraram todos os direitos.
Um, o principal, que é o direito a ter uma família tradicional e bem quista.
Outro direito fundamental o de produzir decentemente empregos relacionados à terra.
Mas, tenho ainda direito legal a um pedaço de terra e pretendo reconstruir minha história.
Orgulho-me da meus ancestrais e luto para desbaratar a quadrilha de espíritos sem luz.
Espíritos estes, nascidos nas últimas gerações da minha própria família.
Meu conto é breve, como breves eram as palavras de meu amado avô Mário Pedroso.
Vou transformar a realidade de horror vivenciada pelo meu espírito, realidade esta que destruiu uma família.
Começo por um conto, pois um conto eterniza todas as realidades e transforma mentes em construção de algo mais evoluído, espiritualmente falando.
Um conto constrói um novo império, um poderoso império que ultrapassa as fronteiras de um estado, de um país e até do nosso planeta.
Neste conto, personagens atuantes das décadas de sessenta, setenta e oitenta que poderiam criar algo digno e que optaram por todo tipo de conluios mal feitos.
Pessoas de sobrenome Pedroso e outros ligados a ele que optaram pelo ganho fácil, pelo roubo de herança, pela escravização da própria família, utilizando-se do seu conhecimento de forma mesquinha e extremamente limitada.
Implantaram o império do mal, e, em benefício próprio enriqueceram das mais variadas formas.
Influentes, se apoderaram da maçonaria para através desta brilhante ordem fazer o contrário que pregam os bons maçons.
Como são familiares, a minha atuação para desbaratá-los fica extremamente delicada.
Muitos pagaram com a vida, eu paguei com o completo isolamento vindo para São Paulo, estado que me acolhe para sobreviver a custa do meu conhecimento e do meu trabalho.
Mas não acho justo apenas colocar uma pedra em cima de fatos com extrema gravidade.
Um conto que será a prisão existencial dos que atuaram de maneira desonesta e que tentam se justificar das formas mais absurdas possíveis.
Da minha família, nasceram o primeiro advogado de Dourados e o primeiro médico veterinário.
Estarão neste conto os letrados e os iletrados, os bons e os maus, os honestos e os ladrões.
Eles saberão que falo a verdade, apesar de se justificarem com mentiras. O que mais me importa é que, no momento em que colocarem suas cabeças no travesseiro, as imagens das suas intenções e suas ações verdadeiras perseguirão sua consciência e eles mesmos fecharão o cadeado de suas celas.
Neste conto transformador de consciências, as crianças poderão perguntar:
_ Quem foi o coroné Milo?
_Quem foi o coroné Birma?
_Quem foi o capataz Sony?
_Quem foi o capataz Olvídio?
E a verdade brotará e iluminará todos os charruas descentes de Izidro Pedroso.
Voltei de Dourados nesta breve férias de inverno e agora quem "manda" na terra do Matuto é o coroné Rinha.
Eu agora, digo como descendente de charrua agora um tanto letrada:
_Vocês coronéis das trevas, não podem comigo! E as suas galinhas ciscantes que dormem com vocês além de feias são extremamente más e fazem tudo pelo vil metal. Eu não! Segui o conselho do meu amado avô.
Ele disse:
_Estude minha filha, neste mundo podem lhe roubar tudo, menos o que guarda dentro da sua cabeça.
E assim sigo a vida, mandando apenas um recado para o coroné Milo, velho que ainda vive.
"_Coroné, fala pro teu filho "aspirante" a coronezinho MarioJô não mexer com meus sobrinhos, pra ele colocar uma pedra em cima dos fatos. Senão, depois que o senhor morrer, Eu já velha, vou cavucar minha herança. Diga a verdade coroné Milo, diga pro aspirante gordo MarioJô que ele come o que meu avô deixou pra todos os netos e que sua parte, é fruto de roubo. Você, coroné Milo, é um grande ladrão de família, isso sim!
E morra pelo menos com esta paz, porque o resto será providência divina."
Despeço-me contanto este conto realidade, porque a realidade me causa nojo e um certo horror.
Maeli Aguilera Pedroso, bisneta de Izidro Pedrozo e Benedita com sangue de charrua luz.

